Fabricação de Produtos Metálicos: A Produtividade Pela Busca da Qualidade

É interessante o fato de já nos encontrarmos no século XXI ! Quantas estórias e filmes de ficção científica já foram produzidos referenciando este século e eis que descobrimos que chegamos lá. Com esta visão, podemos dizer que o futuro chegou!

Fazendo uma correlação entre futuro e passado, analisando particularmente a “tecnologia” do que é produzido hoje com aquela utilizada no passado, conclui-se que a Revolução Industrial foi um período da história de profundas transformações e, conseqüentemente, imenso valor tecnológico.

Com a substituição da técnica artesanal de fabricação por meios mecanizados, esta revolução proporcionou a produção em larga escala de infindáveis produtos, porém, empregando processos de fabricação bastante rudimentares, se comparados com aqueles existentes hoje na indústria. Com o desenvolvimento da produção em série, a corrida para a fabricação de quantidades cada vez maiores de produtos passou a ser a grande meta da indústria. Por outro lado, a qualidade final dos produtos, apesar de necessária, não era ainda a grande preocupação dos produtores / fabricantes.

Com o passar do tempo, novas tecnologias foram sendo desenvolvidas tendo, basicamente, os seguintes objetivos: permitir a produção de um número cada vez maior de produtos fabricados, como também possibilitar a fabricação de produtos mais elaborados tecnicamente e com menor custo. Com a prática dessas ações, foi surgindo naturalmente a necessidade de se criar procedimentos de trabalho, de tal forma que todos os produtos fabricados de um mesmo projeto ou lote apresentassem uma uniformidade física, assim como uma qualidade, no mínimo, aceita pelos compradores / usuários. Este procedimento anteriormente mencionado, nada mais é que o rascunho das primeiras normas técnicas utilizadas pela indústria.

Analisando apenas a indústria de construção e montagem, tem-se hoje a fabricação de equipamentos que usam diferentes tipos de materiais e geometrias, e/ou que transportam materiais sólidos, líquidos e gasosos em diferentes meios corrosivos, e/ou que suportam altas ou baixas temperaturas e pressões de serviço, entre outros fatores, isto exige uma ação normativa bastante rígida que atinja os seguintes objetivos: produzir um equipamento que tenha uma vida útil a mais longa possível, dentro das exigências estabelecidas pelo projeto de fabricação, garantir a integridade dos seres humanos durante a sua fabricação e enquanto o equipamento estiver em serviço, entre outros.

Apesar de muitas construções de equipamentos não terem uma norma técnica aplicável estabelecendo regras e critérios de fabricação, isto não impede que a busca pela qualidade seja alcançada. A luta por uma crescente produtividade e, conseqüentemente, maiores lucros são metas estabelecidas por todos; porém, é necessário que toda a energia envolvida esteja baseada em um trinômio “qualidade / segurança / meio ambiente”.

Hoje, é cada vez mais sabido que o aumento da produção, sem uma retaguarda fortalecida e bem estruturada, não se chega a lugar nenhum. A solidez dada por um determinado produto está totalmente ligada a qualidade que este apresenta. Para isso, é mister que se faça uma análise geral, iniciando na fase do projeto e terminando na fase quando o equipamento já se encontra em serviço, para que se constate a necessidade de algumas mudanças. Esta análise é o primeiro passo para se obter um produto de melhor qualidade.

No campo da soldagem, por exemplo, inúmeras pequenas tarefas podem ser feitas para que a qualidade do produto e o aumento da produtividade sejam obtidas, a saber: substituição do processo de soldagem manual por processos semi-automáticos e/ou automáticos, realização de uma manutenção adequada das fontes de energia e acessórios, uso de ciclos de trabalho das fontes compatíveis com a corrente elétrica empregada, estabelecimento dos parâmetros de soldagem (corrente e tensão do arco) de acordo com o diâmetro do eletrodo, posição de soldagem e a espessura da chapa, uso na obra de procedimentos de soldagem e soldadores qualificados, utilização de seqüências de soldagem e de passes apropriados, armazenamento dos consumíveis de soldagem de acordo com as instruções de seus fabricantes, distribuição dos equipamentos de proteção individual completos para os soldadores e operadores de soldagem, entre outros.

Na verdade, as ações anteriormente apresentadas não são nenhum “monstro de 7 cabeças“. Basta um planejamento simples das atividades que deverão ser executadas, delegando tarefas àqueles profissionais que possuem condições técnicas para a realização do trabalho. Ao final de um período, já será possível obter os seguintes resultados: redução da quantidade de horas do soldador em uma obra e do retrabalho, redução do custo dos consumíveis de soldagem (eletrodos, gás de proteção), diminuição do consumo de energia elétrica, aumento da vida útil das equipamentos de soldagem, diminuição do número de acidentes de trabalho, entre outros resultados.

Visto isto, é possível, sem sombra de dúvidas, de que a busca pela qualidade contribui imensamente para o aumento da produtividade, como também para o aumento da lucratividade do empreendimento. Dê hoje o primeiro passo para essa caminhada em busca da qualidade. Com certeza, isto já significa 50% do caminho a ser percorrido (provérbio chinês).

Autor:
Plinio H. R. Pecly - Gerente do Departamento Técnico - FBTS

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